Irmãos acusados de planejar e executar assassinato de uma adolescente em Campo Belo do Sul devem ir a júri popular

A Justiça acolheu a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e um casal de irmãos deve ir a júri popular pelo assassinato de Ana Kemilli Taques Krindges de 14 anos em Campo Belo do Sul. Segundo as investigações, o crime aconteceu porque a vítima se recusou a reatar o namoro com um dos réus. Os dois são acusados por homicídio quadruplamente qualificado: crime contra mulher (feminicídio), motivo torpe (vingança), uso de recurso que dificultou a defesa (emboscada) e meio cruel (asfixia). O homem também é acusado pelos crimes de ocultação de cadáver e corrupção de menor.

Entre 2018 e 2019, a vítima conviveu com os acusados na condição de namorada do homem e cunhada da irmã deste, mas se afastou de ambos com o fim do relacionamento amoroso. O homem, por sua vez, não aceitou o término e passou a pressionar a adolescente, rondando a casa dela com um revólver e enviando-lhe mensagens ameaçadoras pelo WhatsApp.

Segundo a acusação, o desejo obsessivo somado às respostas negativas motivou o crime. O homem teria planejado e executado o homicídio em 8 de fevereiro de 2021, com a ajuda da irmã e de um adolescente.

Parecia só mais uma segunda-feira de verão no Assentamento 17 de Abril. Naquele dia, a mulher foi até a casa da vítima com o pretexto de conhecer seu irmãozinho. No final da tarde ela pediu para a adolescente acompanhá-la em parte do trajeto de volta. Ambas caminharam juntas por cerca de 800 metros, então se despediram.

A vítima retornava para casa, mas foi abordada por um adolescente e convencida a caminhar até uma área de vegetação. O homem esperava escondido. A adolescente foi levada à força mata adentro, amarrada em uma árvore e estrangulada até a morte. O corpo foi encontrado dois dias depois por moradores do assentamento, coberto por folhas, após intensas buscas envolvendo amigos, familiares e órgãos de segurança.

A Polícia Civil iniciou as investigações, e dias depois o adolescente assumiu o crime, mas os elementos coletados indicaram o envolvimento de pelo menos mais uma pessoa. O homem foi preso preventivamente em 17 de junho de 2021 e desde então está no Presídio Masculino de Lages, à disposição da Justiça. A irmã foi indiciada por participação no crime.

A Promotora de Justiça da Comarca de Campo Belo do Sul, Raíza Alves Rezende, está conduzindo a acusação. “Mais uma etapa foi alcançada em busca de justiça pela memória da adolescente. O crime foi bárbaro e o Ministério Público atuará em plenário para mostrar a necessidade de uma punição à altura”, diz.

Defesa dos acusados

“A defesa de Ronaldo Alves Perão, patrocinada pelo escritório Rossi & Ribeiro advogados, esclarece que recebeu com surpresa a decisão da Vara Única da Comarca de Campo Belo do Sul. Entendendo que ficou demonstrada a nulidade das provas obtidas pela polícia civil e que buscará nos tribunais superiores a anulação do processo. Ressalta que seu cliente é inocente, está preso há mais de um ano e pretende recorrer da decisão ao tribunal de justiça. Por fim, destaca que sua inocência será provada e o verdadeiro autor do crime será apresentado à comunidade campobelense”
Assinam a defesa, os advogados, Bruno Ribeiro, Diego Rossi e Rafael Pucci.

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