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Urupema é o terceiro município a receber o Castramóvel da Serra Catarinense

Programa do Cisama realiza castrações gratuitas e combate o descontrole populacional de cães e gatos

Urupema é o terceiro município da Serra Catarinense a receber o serviço do Castramóvel, projeto do Consórcio Intermunicipal da Serra Catarinense (Cisama). A meta é realizar 45 esterilizações de cães e gatos até esta quarta-feira (14), conforme informou o médico veterinário Thiago Cordeiro, integrante do Programa de Sanidade dos Produtos Agropecuários, junto da coordenadora Andressa Steffen Barbosa.

O programa é voltado especialmente a famílias em situação de vulnerabilidade social, inscritas no CadÚnico, e que sejam tutoras de cães ou gatos. A meta mensal é de 200 castrações gratuitas. As prefeituras são responsáveis pelo cadastramento das famílias, cujos dados são encaminhados ao Cisama e à clínica habilitada para a execução dos serviços.

Os dois primeiros municípios atendidos foram Bocaina do Sul e Rio Rufino. Após Urupema, o Castramóvel deverá seguir para Painel ou Ponte Alta. O veículo-clínica foi totalmente reformado e deverá percorrer 17 municípios da região, com exceção de Lages, que já possui serviço próprio.

Segundo Thiago Cordeiro, o número de cães e gatos na Serra Catarinense está fora de controle. “Se o programa continuar de forma permanente, acredito que em cerca de dez anos teremos um controle efetivo dessa população. Isso é essencial para reduzir as zoonoses — doenças transmitidas por vírus, bactérias, parasitas ou fungos, que podem afetar humanos por meio do contato com animais doentes”, explicou o veterinário.

O serviço é gratuito e destinado apenas a animais sem raça definida, com até oito anos de idade e peso máximo de 10 quilos.

População apoia o programa e pede continuidade

Integrante da Associação Gaia, entidade que atua na defesa da causa animal, Mara Andrade Arruda destacou a importância da iniciativa. “O Castramóvel é fundamental para o controle das populações de animais de rua. É um serviço que precisa ter continuidade, caso contrário o problema nunca será resolvido”, afirmou.

Mara relatou que Urupema enfrenta sérios problemas de abandono e envenenamento de animais. O nome da associação, segundo ela, é uma homenagem à cachorrinha “Gaia”, que foi resgatada após ser atropelada e abandonada em uma rua da cidade.

A moradora Márcia Aparecida Martins, tutora de 11 cães resgatados, também elogiou o programa. “Acolho os animais para não vê-los sofrendo. Dos meus 11 cães, oito já são castrados e hoje trouxe o Tor para a cirurgia. Os outros dois ainda são filhotes. Se tivesse que pagar, não teria condições. Esse serviço é essencial”, contou.

Segundo ela, além do controle populacional, os cães castrados ficam mais tranquilos e menos agressivos.

Ataques de cães ao gado preocupam produtores

O descontrole da população de cães de rua em Urupema tem provocado sérios prejuízos à pecuária local. Nos últimos seis meses, ao menos 15 bovinos morreram após ataques de bandos de cães.

Um dos casos mais graves envolveu um touro de mais de mil quilos, que teve as virilhas e tendões dilacerados e acabou morrendo em decorrência dos ferimentos. O animal pertencia a uma propriedade próxima ao centro da cidade e a morte representou um prejuízo superior a R$ 20 mil, por ser um reprodutor de genética selecionada.

Os produtores rurais relatam ataques recorrentes, tanto em áreas de campo quanto nas mangueiras das fazendas. Normalmente, os ataques são cometidos por cães de médio e grande porte, que agem em bandos de quatro a seis animais.

Apesar das perdas, nenhum registro formal foi feito na Delegacia de Polícia. Os criadores afirmam que os cães, após os ataques, não se alimentam das vítimas, o que reforça o caráter de comportamento instintivo e não predatório.

Os casos aumentam especialmente entre o fim do inverno e o início da primavera, quando o gado está mais fraco devido à escassez de pasto.

Para os produtores, a castração e o controle populacional são medidas essenciais para conter o problema. Mesmo assim, a pecuária local segue enfrentando prejuízos com o crescimento desordenado de cães nas áreas urbanas e rurais do município.

Texto/fotos: Onéris Lopes

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