Reconhecida como “Capital Nacional das Casas Subterrâneas”, São José do Cerrito começa a transformar esse título em realidade. O município deu início, nesta segunda-feira (16), à construção do primeiro protótipo de casa subterrânea, modelo habitacional utilizado há cerca de 1.100 anos pelos povos indígenas Jê Meridionais, como os Kaingang e Xokleng. A obra deve ser concluída até o próximo fim de semana.

Com aproximadamente 36 metros quadrados e formato circular, a estrutura está sendo escavada em meio a um capão de mata com araucárias, próximo à Secretaria de Turismo e ao lado de um córrego. A escolha do local seguiu critérios culturais e espirituais, definidos após ritual realizado por uma família da Aldeia Bugio, da comunidade Laklãnõ Xokleng, de José Boiteux.
A casa subterrânea ficará a cerca de 1,60 metro abaixo do nível do solo e servirá como modelo para futuros empreendimentos turísticos em propriedades rurais da região, onde já foram identificadas diversas escavações ancestrais.
A execução do projeto está a cargo de três integrantes da comunidade Xokleng, com apoio de familiares e crianças que acompanham o trabalho. A secretária de Esportes e Turismo, Lola Maringoni Guimarães, coordena o suporte ao grupo, garantindo alimentação, hospedagem, transporte e ferramentas.

Segundo ela, o protótipo fará parte de um complexo turístico denominado Centro Integrado de Cultura. “Naquela área teremos além da Gruta Nossa Senhora de Fátima, a Casa Subterrânea e a Casa da Memória. Esse projeto envolve a Amures, o Sebrae, a Adrel e o Sicoob Credicarú, que patrocinou a mão de obra das escavações. Teremos aqui um verdadeiro tesouro ancestral que vai resgatar nossa história”, destacou.
A secretária executiva da Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos (Adrel), Elisa Lima, visitou o local nesta segunda-feira e acompanhou o andamento dos trabalhos. Para a prefeita Tainara Raitz, a iniciativa representa um marco para o desenvolvimento turístico do município.
“Esta réplica será um incentivo para que proprietários de áreas com grande concentração dessas estruturas arqueológicas invistam em roteiros turísticos, gerando renda e oportunidades para a população”, afirmou.

São José do Cerrito concentra um expressivo número dessas formações arqueológicas. Estudos já identificaram, em áreas específicas, mais de 100 estruturas pré-históricas, com diferentes dimensões e profundidades entre 0,6 metro e 1,1 metro, evidenciando a existência de importantes assentamentos indígenas na região.
A construção do protótipo está sob responsabilidade do indígena Geramiel Ndjuplo de Almeida, que conduz o trabalho respeitando os costumes ancestrais, desde as técnicas de escavação até o cuidado com elementos considerados sagrados durante o processo.
Texto/fotos: Onéris Lopes



