Vítimas da Covid-19 são lembradas em homenagem na data oficial em sua memória

Em alusão à trajetória de moradores de Lages falecidos em razão da infecção pelo novo coronavírus, por tantos outros que não conseguiram ultrapassar o obstáculo das sequelas e complicações decorrentes da doença e em solidariedade as suas famílias. O Município lamenta os episódios tão dolorosos a cada família lageana, presta seu apoio e reitera a disposição das estruturas da prefeitura, em saúde, psicologia e assistência social à comunidade

Os resquícios emocionais com a perda de milhões de vidas especiais, provocada pela pandemia infecciosa do novo coronavírus no planeta, gerador de uma das mais graves doenças já conhecidas pela humanidade, a Covid-19, jamais serão apagados das mentes de famílias e amigos e profissionais da linha de frente da área sanitária. Em Lages, no ano de 2021, o Município instituiu o Dia Municipal em Memória às Vítimas Locais da Covid-19 – 8 de julho, com a sanção da Lei Municipal nº: 4.503, de 2 de julho, de proposição do Poder Legislativo. A data integra o Calendário Oficial de Eventos do Município. À época da formalização legal, a cidade amargava 498 vidas ceifadas pela pandemia mundial.

O novo coronavírus chegou a Lages em março de 2020, acometendo, na sequência, a Serra Catarinense, transformando o cotidiano dos 280 mil habitantes da região com inúmeras restrições e normas sanitárias, como o uso de máscara de proteção facial e álcool gel, distanciamento e isolamento social, lockdown e horários de operação reduzidos para a indústria, comércio e prestação de serviços.

Ao longo deste tempo, bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos lutaram pela vida em leitos de enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com o uso de oxigênio ou intubados por ventilação mecânica para poderem respirar, algo simples de todo ser humano, mas complexo para quem está em uma cama hospitalar combatendo o vírus com estes dispositivos tecnológicos e intervenções por medicamentos. Do lado oposto, Lages esteve de luto. Centenas de pessoas perderam a batalha e acabaram indo embora, deixando, para trás, companheiros, pais, filhos, irmãos, amizades e colegas de trabalho, os estudos, as companhias, o lazer, pessoas que eram e serão eternamente o amor e a saudade de alguém.

A Lei Municipal completou um ano de vigência e, neste dia 8 de julho de 2022, sexta-feira, as 591 vítimas contabilizadas desde o começo da pandemia na cidade foram recordadas, em um ato simbólico na Praça João Ribeiro (Praça da Catedral Diocesana), organizado pela Secretaria Municipal da Saúde. Simultaneamente à Praça João Ribeiro, em todos os estabelecimentos de saúde vinculados à Secretaria Municipal – Exemplos: Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 Horas Maria Gorete dos Santos/Centro de Triagem para a Covid-19, Centro de Vacinação Tito Bianchini, Policlínica Municipal Eneo Pacheco de Andrade, Centro de Estudo e Assistência à Saúde da Mulher (Ceasm) e Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária – respeitou-se um minuto de silêncio no período do fim da manhã (11h30). Ao mesmo tempo, o sino da Catedral Diocesana tocou, despertando a atenção da região central da cidade, entre motoristas, pedestres e comerciantes. Os participantes da consagração na Praça João Ribeiro expressaram seu tributo com uma salva de palmas e a oração Pai Nosso. O secretário da Saúde, Claiton Camargo de Souza, e o secretário de Estado da Saúde, Aldo Baptista Neto, compareceram à cerimônia, bem como demais autoridades de gestão pública, lideranças e trabalhadores de serviços de saúde e sociedade. 

Em Santa Catarina estão registrados 22.085 óbitos pela Covid-19; no Brasil, 673.283 óbitos e, no mundo, 6,35 milhões. Carinho e solidariedade às famílias que se encontram incompletas pela partida de seus entes queridos. “Dois anos passaram e as marcas deixadas em nossos corações serão eternas. Não são dores temporárias. Vidas perdidas, com suas histórias individuais, suas lutas, seus planos abreviados, caminhos ainda a serem percorridos. A comunidade compreendeu a relevância de interromper as atividades do dia para parar e refletirmos sobre pais, mães, filhos, crianças, jovens, avôs e avós que infelizmente nos deixaram precocemente nesta batalha pela vida. A estas pessoas, o nosso respeito e, aos seus familiares, nossas considerações e nosso ombro amigo”, reconhece o prefeito Antonio Ceron.

Atendimento humanizado para pacientes e respaldo psicológico para familiares em operações permanentes. “Os servidores sentem na pele as despedidas inevitáveis, se colocam no lugar das pessoas que sofrem as dores físicas e a mental. As equipes de saúde se sentem comovidas, lembrando que antes de serem técnicas são humanas. Nossos dias nunca mais serão iguais. As lições aprendidas servem para atribuirmos mais valor ao que não tem preço. Seguimos fortes, com investimentos na estruturação de um Sistema Único de Saúde (SUS) assertivo, protetor e preventivo aos cidadãos desde o seu nascimento”, analisa o secretário da Saúde, Claiton Camargo de Souza.

No público da solenidade desta sexta-feira (8 de julho) estava a gaúcha de Ipê e lageana de coração há 60 anos, a professora aposentada, Nayr Scopel, concentrada em seus pensamentos. “Os feitos, a bondade e os ensinamentos de nossos amigos que partiram pela Covid-19 devem ser cultuados. Este tipo de evento torna-os inesquecíveis. O geriatra Jonas Coelho Lehmkuhl era meu médico e um homem de valor. Fiquei muito sentida por saber que ele não venceu a doença. Décadas de consultas salvando vidas. Doutor Jonas e o pediatra Moacir José Cucco foram pessoas que contribuíram e se dedicaram. Gente ímpar. É por estas vítimas e tantas outras que estamos aqui hoje”, desabafa Nayr, vacinada com quatro doses, adepta da máscara de proteção facial e consciente de seus papéis na prevenção do novo coronavírus, dos quais, fazer poucas viagens, como ela frisa. “Permanecemos em alerta.” 

Doses de esperança

Na contramão das fatalidades, pessoas estão curadas ou enfrentam os processos de recuperação e reabilitação sob os efeitos do novo coronavírus (Covid-19). A guerra ainda não acabou também para quem não foi afetado pela transmissão da doença. A imunização iniciou o Brasil em março do ano passado.

De 2020 em diante são 41.642 casos confirmados, 40.662 recuperados e 389 ativos em Lages atualmente, de acordo com o Boletim Epidemiológico elaborado pela Secretaria da Saúde mais recentemente, publicado na segunda-feira (4 de julho) – divulgação semanal. Já foram aplicadas 355.163 doses de vacinas em território lageano, entre 1ª, 2ª, 3ª e 4ª doses. “A vacinação em grande escala populacional abrange pessoas a partir dos cinco anos de idade. O município está oferecendo a quarta dose para a faixa a partir de 40 anos. É um desafio travado conjuntamente à população. Precisamos estar atentos aos prazos de intervalo entre doses primárias e de reforço de vacinas de laboratórios disponíveis, procurar não atrasar o esquema vacinal, tomar os devidos cuidados de desinfecção, manter-se longe de aglomerações e dominar o assunto com a seriedade que merece”, pontua o secretário da Saúde, Claiton Camargo de Souza.

Cuidar de quem cuida de verdade

Quem está ao lado do médico, da enfermeira e do técnico de enfermagem enquanto ele sai aos corredores para secar o suor e as lágrimas ao atender centenas de pacientes em minutos recordes para assegurar o bem mais precioso? Para responder a esta pergunta, um ato de homenagem no Estado de Santa Catarina inteiro lembrou a fraternidade aos familiares das vítimas da Covid-19 e o apoio aos trabalhadores da Saúde, em 19 de março de 2021, data de um ano do início da corrida de enfrentamento à pandemia que já se alastrava em outras partes do país depois de ter invadido diferentes regiões do planeta. Os atos simbólicos foram organizados pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Santa Catarina (Cosems/SC) e aconteceram de modo paralelo em frente a hospitais e estabelecimentos de Saúde nos 295 municípios catarinenses, sem prejudicar os atendimentos.

Texto: Daniele Mendes de Melo/Fotos: Toninho Vieira

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