Ações conjuntas do Poder Público com a sociedade civil e uma maior conscientização dos donos de animais são necessárias para melhorar a situação em Lages

O Plenário Nereu Ramos da Câmara de Lages sediou na noite de 8 de abril uma audiência pública que debateu a causa animal em nosso município. As pessoas que se manifestaram na sessão buscaram informações das autoridades presentes e relataram casos que precisam de soluções práticas por parte do governo. Foram 12: Joice Fanni, Roselaine Xavier, Jane Pereira, Maria Aparecida, Hélio Antunes, Adilson Silva, Simone Pereira, Kevin Vicente, Francisco Biazotto, Carolina Dias, Renan Nunes e Denise Paes.
Presidida pelo 1º secretário da Câmara, vereador Castor (PL), a audiência contou com a presença de gestores públicos, como o secretário de Serviços Públicos, Jean Corbellini, especialistas da área e representantes da segurança, como o comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Marcos Paulo Rangel, e a delegada da Polícia Civil, Bricia Costa e Rosa, que esclareceram à população sobre o funcionamento dos protocolos de fiscalização e de autuação em denúncias.
Proponente da audiência, a vereadora Bruna Uncini (Cidadania) milita na causa há mais de dez anos, notadamente no projeto “Adote um Animal de Rua”. Em sua atuação legislativa, foi responsável pela criação da Frente Parlamentar de Bem-Estar Animal – um ambiente específico de discussões e propostas sobre a temática – e por projetos de lei como o do Banco de Ração e do Selo Empresa Amiga dos Animais.

Junto dos colegas da 20ª Legislatura de Lages (2025/2028), ela ajudou a derrubar um veto da administração anterior que impedia a arrecadação de tampinhas plásticas nas escolas, as quais são vendidas para reciclagem e o dinheiro é revertido em castrações. Bruna destacou algumas iniciativas da atual gestão da Prefeitura, como o aumento no número de castrações, a disponibilização de médico veterinário para atender nos bairros os animais de famílias em vulnerabilidade social e a reforma projetada para o Centro de Bem-Estar Animal, que visa melhorar as condições dos animais abrigados.
A vereadora tem mais motivos para comemorar: a Prefeitura enviou à Câmara um projeto de lei que cria o Conselho Municipal e o Fundo de Bem-Estar Animal, que são, respectivamente um colegiado misto permanente, composto por especialistas e que deve aprimorar as políticas públicas relacionadas ao assunto, e uma reserva financeira específica para captar recursos visando melhorias na área. “Não é uma pauta fácil, não existe uma solução rápida. O que a gente precisa é trabalhar em políticas públicas que levem conscientização para que as pessoas não abandonem os animais, além de trabalhar também com a castração extensiva”, aponta Bruna.
Número de castrações quase triplicou no último ano
O Poder Executivo Municipal criou em 2025 a Coordenação de Bem-Estar Animal, um setor responsável por diversas atividades como castrações extensivas, recolhimento seletivo, palestras nas escolas e fiscalização sobre denúncias de maus-tratos. Executiva da pasta, Geanice Ledo apresentou dados que comprovam avanços na área, como as 4.069 castrações realizadas no ano passado, um acréscimo de 228% em relação a 2024. “Isso reforça o compromisso da atual gestão com o bem-estar animal e o controle populacional de cães e gatos no município”, destaca a servidora.
Os avanços também dependem da participação da sociedade civil organizada. Exemplo disso é a iniciativa “Cão Companheiro”, desenvolvido voluntariamente no campus de Ciências Agroveterinárias da Udesc em Lages e que neste ano foi transformado em projeto de extensão da universidade. Ele acolhe animais comunitários que são abandonados no CAV e oferece cuidados em relação à saúde, alimentação e castração.
O responsável é o professor efetivo da instituição, médico veterinário e doutor em Virologia, Ubirajara Maciel da Costa e, para ele, uma iniciativa como a audiência pública é importante porque pode mobilizar pessoas e instruir mais a população sobre o cuidado que se deve ter com os animais. “Nossa demanda ocorre principalmente pela falta de informação das pessoas, que abandonam os cães, deixam soltos. Se a população se envolver, através desses debates, vai facilitar o nosso serviço também”, opina.
Somente no ano passado, a Associação Lageana de Proteção Animal – que já tem mais de 20 anos de história – promoveu 25 feiras de adoção, as quais garantiram novos lares para mais de uma centena de cães e gatos. Presidente da Alpa desde 2024, Anna Laura de Lorenzi contou que a organizou mobilizou voluntários e fez o recenseamento em mais de 200 casas de um bairro que possui uma expressiva população de animais errantes.
Foi constatado que mais de 80% dos cães e gatos da região não eram castrados, sendo que para haver um efetivo controle populacional dos animais, a situação deveria ser a inversa. “A gente precisa da conscientização da população em levar os animais para castrar e da atuação conjunta entre os poderes públicos, ONG’s e sociedade, pois esse não é um trabalho que pode ser feito de modo isolado”, comenta ela.



