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Neuropsicopedagogia ajuda no enfrentamento ao Autismo

Dia Mundial do Autismo-Entender como o cérebro da criança ou adolescente aprende e processa as informações, especialmente, o portador de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Esse é um dos desafios da neuropsicopedagoga, Jucelei Macedo, que diariamente recebe em seu consultório, pessoas que necessitam de auxílio para seguir sua trajetória escolar de uma maneira mais assertiva com adaptações para facilitar sua aprendizagem de uma forma mais leve e eficaz.

Especialista em comunicação alternativa e cuidado com a aprendizagem, pós-graduada em Educação Especial Inclusiva e em Neuropsicopedagogia Clínica, Jucelei Macedo explica que o Dia 2 de abril, Dia Mundial do Autismo, é importante para refletir sobre a compreensão dessas pessoas, suas dificuldades de socialização, de comunicação verbal ou uso da linguagem.

“Como sociedade e como ser humano, temos um desafio que consiste em prevenir que os primeiros sinais sejam observados o quanto antes. Por isso é importante que seus familiares fiquem atentos e na dúvida, procurarem um profissional para esclarecer e auxiliar neste processo. Os professores, mediadores também tem essa responsabilidade de comunicar a família quando algum comportamento diferente acontecer, seja na parte da interação social ou curricular”, explica a neuropsicopedagoga.

Jucelei Macedo tem um trabalho focado em solucionar dificuldades cognitivas e busca com isso, melhorar o processo de aprendizagem e comunicação da criança. Só com Educação Especial Inclusiva, trabalha há quase uma década e integra um grupo de profissionais da PhisioQuality — Centro de Fisioterapia Avançada, formado por especialistas altamente capacitados que atuam com reabilitação especializada.

Especialmente para os casos de autismo, a abordagem neuropsicopedagógica inclui avaliação neuropsicológica e através desse procedimento, se busca identificar as áreas em que a criança ou adolescente tem prejuízos de aprendizagem. A partir disso, é elaborado um plano de avaliações e intervenções pedagógicas individualizadas, que leva em conta as habilidades e dificuldades da criança.

A neuropsicopedagogia surge como sendo uma ciência transdisciplinar que reúne conhecimentos das áreas da neurociência cognitiva, a pedagogia e a psicologia.

Autismo requer eficácia e acompanhamento no tratamento

A neuropsicopedagogia está cada vez mais se transformando numa ferramenta favorável a aprendizagem de pessoas com autismo. Considerado um problema global, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) se caracteriza por alterações no desenvolvimento neurológico.

Esse transtorno recebe uma classificação internacional, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), por tratar-se de um tema de saúde mental, que apresenta alterações cerebrais na pessoa que a possui, podendo afetar também a aprendizagem. Com isso, o TEA pode ocorrer tanto isoladamente, como também associado a outros transtornos ou comorbidades.

As características do autismo podem ser apresentadas na criança desde muito cedo, já em seus primeiros anos de vida, sendo também mais comum em meninos, que em meninas. O comprometimento pode ter classificação de nível 1,2,3 com suporte, sendo o diagnóstico essencialmente clínico, a partir de relatos e observações dos pais aos profissionais de saúde.

A aprendizagem do aluno com autismo é cercada por muitos desafios, tanto para as crianças e pais, quanto para os professores, pois para que o aluno possa atingir o seu potencial e desenvolver-se em sua maneira mais plena possível, a escola precisa reformular sua estrutura e planejar novas formas de ensinar, a fim de que haja de fato a inclusão da criança com autismo.

“A aprendizagem de alunos especiais requer flexibilidade e adaptações curriculares constantes, seguidos pelo PEI (Plano Educacional Individualizado). Só assim criamos condições de acessibilidade a aquisição de novos conhecimentos, integração social e desenvolvimento de novas habilidades dessas pessoas”, explica Jucelei Macedo.

Tão importante quanto a intervenção no momento certo, é a eficácia dessa aprendizagem e uma equipe multidisciplinar para dar continuidade ao trabalho realizado em sala de aula, por profissionais que assessorem esse processo, como é o caso do neuropsicopedagogo.

A neurociência ligada à educação, resulta num estudo de como o cérebro aprende. E serve como alicerce para a prática neuropsicopedagógica, fornecendo metodologias e estímulos perceptivos desde os primeiros anos de vida até os sete anos de idade, como forma de prevenção de sintomas que possam ser confundidos com síndromes, transtornos e demais anomalias.

Autismo é segunda maior incidência nas matrículas da Educação Especial

Dados do Ministério da Educação do Censo Escolar de 2023, apontam que o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), foi a segunda maior demanda nas matriculas da Educação Especial no Brasil. Das 1.771.430 matrículas na educação especial computadas naquele ano, a maior concentração 53,7% são de estudantes com deficiência intelectual (952.904) enquanto que os estudantes com autismo foram 35,9% (636.202).

Os números são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com a pesquisa, a faixa etária de 4 a 17 anos da educação especial, constatou-se que o percentual de matrículas de alunos incluídos em classes comuns também vem aumentando gradativamente, passando de 94,2%, em 2022, para 95% em 2023.

O levantamento estatístico abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica: ensino regular, educação especial, educação de jovens e adultos (EJA) e educação profissional. As estatísticas de matrículas servem de base para o repasse de recursos do governo federal e para o planejamento e a divulgação das avaliações realizadas pelo Inep.

O censo também é uma ferramenta fundamental para que os atores educacionais possam compreender a situação educacional do Brasil, das unidades federativas e dos municípios, bem como das escolas, permitindo-lhes acompanhar a efetividade das políticas públicas educacionais.

Texto/fotos: Onéris Lopes

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