A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que irá testar um sistema de fiscalização com inteligência artificial em rodovias federais. O projeto experimental terá duração inicial de 180 dias e tem como objetivo auxiliar na identificação de infrações de trânsito, como o não uso do cinto de segurança e o uso de celular ao volante.
O videomonitoramento é autorizado pela resolução nº 909 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Segundo a PRF, as empresas selecionadas terão até 90 dias para instalar os equipamentos após a definição dos locais de operação.
O edital não determina pontos específicos para instalação no Rio Grande do Sul. A escolha será baseada em critérios técnicos, operacionais e de interesse público. As empresas poderão sugerir municípios, mas a decisão final ficará sob responsabilidade da PRF.
De acordo com a corporação, a fiscalização será realizada em tempo real. A inteligência artificial atuará como ferramenta de apoio aos policiais, realizando reconhecimento automático de placas e análise de imagens para detectar possíveis infrações.
Quando o sistema identificar alguma irregularidade, será emitido um alerta para análise em uma central de monitoramento. A autuação, no entanto, só poderá ocorrer após a confirmação feita por um agente da PRF.
As câmeras permitirão a visualização de placas, modelo e cor dos veículos, além da gravação de imagens e vídeos. O funcionamento será contínuo e não haverá aplicação automática de multas.
Segundo a PRF, em situações de dúvida ou quando houver problemas técnicos, como baixa qualidade das imagens ou inconsistências na leitura das placas, os agentes não deverão registrar autuações. O período de testes contará com acompanhamento técnico e o sistema poderá ser suspenso ou ajustado caso sejam identificadas falhas operacionais.
A corporação também informou que o projeto não envolve reconhecimento facial nem aplicação automática de penalidades. O foco da iniciativa é ampliar a capacidade preventiva e reduzir acidentes graves nas rodovias federais.
A PRF destacou ainda que o uso do celular ao volante e a falta do cinto de segurança estão entre os principais fatores de risco no trânsito. Em 2025, a instituição registrou redução de 5,5% no número de mortes nas rodovias federais do Rio Grande do Sul, com 19 vidas preservadas em comparação ao ano anterior.
Também houve queda de 6% nos acidentes graves e redução de 3,3% no número de feridos. Apesar disso, foram contabilizadas 327 mortes e mais de 5,5 mil pessoas feridas nas rodovias federais gaúchas ao longo do ano.
Outro dado apontado pela PRF é que mais de um quarto das vítimas fatais em 2025 não utilizavam corretamente o cinto de segurança no momento do acidente. Segundo a instituição, embora o equipamento não impeça acidentes, seu uso reduz significativamente a gravidade das lesões e aumenta as chances de sobrevivência.
Fonte: Correio do Povo



