Investigação aponta choque hemorrágico após procedimento cervicofacial; profissionais foram indiciados e Justiça determinou restrições ao cirurgião-dentista investigado
A 1ª Delegacia de Polícia de Lages divulgou um alerta à população após avançar nas investigações sobre a morte de uma paciente ocorrida em 16 de junho de 2026, depois da realização de um procedimento estético cervicofacial em uma clínica de Lages.
Segundo a Polícia Civil, perícias médico-legais, de local e de informática forense, além de depoimentos e informações obtidas junto a órgãos de fiscalização, indicaram que a morte ocorreu em decorrência de choque hipovolêmico hemorrágico.
A investigação aponta que o procedimento foi realizado por um cirurgião-dentista que, conforme informação oficial do Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC), possui registro apenas na especialidade de Harmonização Orofacial. De acordo com a polícia, ele não possui habilitação nas especialidades de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial ou Cirurgia Estética Orofacial, apontadas na investigação como necessárias para a técnica utilizada.
A Polícia Civil afirma ainda ter identificado que o profissional vinha realizando de forma reiterada procedimentos cada vez mais invasivos e complexos sem a habilitação reconhecida para essas intervenções. Outros casos semelhantes também estão sendo investigados.
A apuração apontou ainda que a sedação durante o procedimento foi conduzida por uma médica. Segundo a Vigilância Sanitária Municipal, parte das instalações do estabelecimento funcionava sem os alvarás sanitário e de funcionamento exigidos.
Justiça determina restrições
A pedido da autoridade policial, a Justiça determinou que o cirurgião-dentista fique impedido de realizar procedimentos cirúrgicos para os quais não possua habilitação técnica reconhecida pelo CRO-SC.
Também foi determinada a retirada de publicações em redes sociais relacionadas a procedimentos cirúrgicos e a comunicação da decisão ao Conselho Regional de Odontologia para fiscalização do cumprimento das medidas.
Segundo a Polícia Civil, os profissionais envolvidos foram indiciados, em tese, por homicídio, nas modalidades dolosa e culposa, conforme a participação atribuída a cada um, além de exercício ilegal da profissão. A Promotoria de Justiça corroborou o entendimento policial e representou pelo encaminhamento do procedimento à Vara do Júri competente.
Alerta à população
A Polícia Civil orienta que pacientes, antes de qualquer procedimento estético ou cirúrgico, verifiquem se o profissional possui registro ativo e habilitação específica junto ao CRM ou CRO e se a clínica possui alvarás sanitário e de funcionamento vigentes.
A recomendação também é para que as pessoas não escolham profissionais apenas com base em publicações e resultados divulgados nas redes sociais, sem confirmar a habilitação necessária para o procedimento.
Denúncias sobre exercício irregular de profissões da saúde ou funcionamento clandestino de estabelecimentos podem ser encaminhadas aos órgãos fiscalizadores ou à Polícia Civil pelo Disque-Denúncia 181.


