O Governo de Santa Catarina oficializou, no Diário Oficial publicado na terça-feira (3), a exoneração do policial penal Rodrigo Barroso, que ocupava o cargo de diretor do Presídio Masculino de Lages. O ato nº 414/2026 foi assinado pelo governador Jorginho Mello e determina o desligamento definitivo do servidor do quadro funcional do Estado.

A decisão tem como base uma determinação judicial e processos administrativos conduzidos pela Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI). Barroso já estava afastado das funções desde o início das investigações relacionadas à chamada “Operação Carne Fraca”, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina.
De acordo com as investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), o então diretor é suspeito de liderar um esquema de corrupção dentro da unidade prisional entre março e outubro de 2025.
Segundo o Ministério Público, Barroso teria recebido vantagens indevidas, como carnes nobres — entre elas picanha — em troca da concessão de benefícios irregulares a um detento específico. As apurações também apontam outras possíveis irregularidades, incluindo intervenções informais em processos de execução penal, violação de sigilo funcional e suspeita de advocacia administrativa.
Outro ponto investigado é a suposta proximidade pessoal do então diretor com a companheira do apenado beneficiado, o que teria influenciado decisões administrativas dentro da unidade prisional.
Após a deflagração da operação, o Presídio Masculino de Lages passou a ser acompanhado por uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA), responsável por revisar protocolos internos e garantir a regularidade dos procedimentos adotados na unidade.
A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social informou que uma gestão interina foi designada para administrar o presídio enquanto as auditorias seguem em andamento. A pasta também afirmou que colabora com os órgãos de investigação e reforçou o compromisso com a transparência e o cumprimento da legislação no sistema prisional catarinense.
As investigações continuam e não está descartada a possibilidade de novos desdobramentos no caso.


