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Primeiro debate ao Governo de SC tem embates e cobranças, mas deixa propostas em segundo plano

João Rodrigues, Gelson Merísio e Ralf Zimmer participaram do encontro realizado neste sábado; críticas e provocações ganharam espaço enquanto planos para Santa Catarina apareceram de forma mais tímida

O primeiro debate entre candidatos ao Governo de Santa Catarina nas eleições de 2026, realizado pelo Grupo ND neste sábado (8), abriu uma das principais vitrines da corrida eleitoral no Estado. Frente a frente, João Rodrigues, Gelson Merísio e Ralf Zimmer tiveram a oportunidade de apresentar suas posições e mostrar ao eleitor como pretendem conduzir Santa Catarina nos próximos quatro anos.

Mas, nesse primeiro encontro, o confronto político acabou ganhando mais espaço do que a apresentação detalhada de projetos. Boa parte das discussões foi marcada por críticas ao atual governador e candidato à reeleição, Jorginho Mello. Entre os assuntos levantados esteve o episódio registrado em julho durante uma visita às obras da Barragem Norte, em José Boiteux, envolvendo o governador e uma liderança indígena.

Questionamentos sobre a administração atual fazem parte naturalmente de uma disputa eleitoral. Quem pretende assumir o governo precisa apontar aquilo que considera errado e apresentar alternativas. O que ainda ficou faltando, porém, foi justamente a segunda parte: mostrar de maneira mais clara quais seriam essas alternativas. Temas importantes para Santa Catarina, entre eles educação e saneamento básico, chegaram à discussão. Ainda assim, o eleitor teve poucas oportunidades de conhecer em profundidade projetos, metas, investimentos necessários e formas de execução defendidas por cada candidatura.Ralf Zimmer adotou em alguns momentos um discurso marcado pela ironia, aumentando o tom de confronto e dando ao debate situações que provavelmente terão repercussão nas redes sociais.

É justamente aí que surge um desafio para os próximos encontros.

Debates podem render frases de efeito, vídeos de poucos segundos e discussões que movimentam as redes. Mas sua principal função deveria ser permitir que a população compare projetos para o futuro do Estado. Santa Catarina tem questões que exigem respostas concretas. Infraestrutura rodoviária, crescimento das cidades, saneamento, saúde, mobilidade, segurança pública, educação e desenvolvimento econômico estão entre os assuntos que fazem parte diariamente da vida dos catarinenses.

Mais do que apontar os problemas do adversário, cada candidato terá de explicar como pretende enfrentar esses desafios.

Quais obras serão prioridade? De onde sairão os recursos? O que poderá mudar na saúde e na educação? Quais metas serão estabelecidas? O que poderá ser efetivamente entregue ao catarinense ao término de quatro anos de mandato?

São essas respostas que permitem ao eleitor avaliar não apenas discursos, mas projetos de governo. O debate deste sábado foi apenas o primeiro e a campanha ainda terá espaço para avançar nessas discussões. Outros encontros deverão colocar novamente os candidatos frente a frente e oferecer novas oportunidades para detalhar propostas.

Para o eleitor, quanto maior o espaço dedicado a ideias, planejamento e compromissos concretos, maior será a possibilidade de comparar as candidaturas. A disputa política naturalmente envolve críticas e divergências. Mas uma eleição para governar Santa Catarina precisa ir além de mostrar quem está contra quem.

Precisa mostrar, principalmente, o que cada um pretende fazer pelo Estado.

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