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El Niño coloca produção agrícola em alerta máximo

O avanço do fenômeno climático El Niño já começa a provocar impactos em Santa Catarina e preocupa produtores rurais em todo o Estado. De acordo com levantamentos da Epagri e informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o aumento das chuvas previsto para os próximos meses deve comprometer o desenvolvimento das principais culturas de inverno e dificultar os trabalhos no campo.

Com o solo constantemente encharcado, cresce o risco de doenças nas plantações, além da dificuldade para a entrada de máquinas nas lavouras. O excesso de umidade também pode prejudicar o transporte da produção e causar problemas nas estradas rurais e no fornecimento de energia em regiões agrícolas.

As projeções indicam queda significativa na produção de alguns dos principais alimentos cultivados em Santa Catarina. O trigo deve registrar uma redução de 29% na safra, com estimativa de 271 mil toneladas produzidas. A produtividade média também deve cair. O alho aparece entre as culturas mais afetadas, com previsão de redução de 17% na produção e diminuição de 13% na área plantada. Já a cebola deve sofrer retração de aproximadamente 9% tanto na produção quanto na área cultivada, agravando um cenário que já era difícil devido aos baixos preços pagos aos produtores no início do ano.

Segundo especialistas, os meses de outubro e novembro deverão concentrar os maiores impactos do El Niño. A previsão é de chuvas frequentes, temperaturas mais amenas e elevada umidade, fatores que dificultam o manejo das lavouras justamente em um período decisivo para a agricultura catarinense.

Apesar das preocupações, algumas culturas devem apresentar desempenho positivo. A produção de aveia-grão tem expectativa de crescimento de 12,8%, impulsionada pela ampliação das áreas cultivadas na Serra Catarinense. A cevada também deve registrar aumento de cerca de 3,8% na produção, embora ainda represente uma parcela menor da agricultura estadual.

Com a possibilidade de um dos episódios mais intensos de El Niño das últimas décadas, produtores acompanham a evolução das condições climáticas e reforçam os cuidados para reduzir os prejuízos provocados pelo excesso de chuva.

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