O Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina (Detran/SC) estuda tornar a baliza não obrigatória no exame prático para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A informação foi confirmada pelo órgão, que afirma aguardar a publicação do novo Manual Brasileiro de Exames Práticos, elaborado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), antes de tomar uma decisão definitiva.

A baliza é a manobra de estacionamento em marcha à ré entre dois veículos ou obstáculos e é considerada um dos principais motivos de reprovação dos candidatos na prova prática.
Na segunda-feira (26), os estados de São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul passaram a não exigir mais a baliza em área demarcada durante o exame. Além disso, outras mudanças foram aprovadas, como a liberação do uso de carros com câmbio automático tanto para a primeira habilitação quanto para a renovação da CNH. Essa medida já foi adotada em Santa Catarina. Antes, o uso de veículos automáticos era permitido apenas para candidatos que necessitavam de adaptação veicular.
Mesmo com a retirada da baliza tradicional, em São Paulo os candidatos ainda precisam demonstrar a habilidade de estacionar o veículo na rua, próximo ao meio-fio, ao menos uma vez durante o percurso da prova. Em Santa Catarina, o Detran informou que mais detalhes serão divulgados caso a mudança seja oficialmente aprovada.
Para a instrutora de trânsito Márcia Pontes, as alterações representam uma redução no rigor do exame e podem trazer impactos negativos para a segurança no trânsito.
— A baliza é apenas uma manobra, mas envolve cinco fundamentos essenciais: controle dos pedais, volante, uso dos retrovisores, noção de espaço e troca de marchas. Ela reprovava mais porque muitos alunos ainda não dominavam esses pilares. Sem isso, o candidato não está preparado para o trânsito — afirma.
Márcia também atua como docente em cursos de formação e atualização de instrutores e destaca que nem todos os Detrans do país adotaram as mudanças. Segundo ela, muitos órgãos, como o de Santa Catarina, aguardam a publicação do Manual Brasileiro de Exames Práticos, que ainda não tem previsão de divulgação pela Senatran.
— Isso foi feito às pressas. Enquanto o manual não é publicado, a Senatran orienta os Detrans a regulamentarem da forma que conseguirem. Confesso que tenho receio do que pode vir nesse documento — diz.
A instrutora acredita que os efeitos das mudanças já começaram a ser sentidos e tendem a se agravar.
— Pessoas já morreram por falta de habilidade, conhecimento e imperícia. Há quem ache que qualquer pessoa pode ensinar a dirigir um parente ou amigo, mas isso é infração gravíssima e crime de trânsito. Nem todo mundo que sabe dirigir sabe ensinar. Quando o manual for publicado, todos os Detrans serão obrigados a seguir as novas regras, e a situação pode sair do controle — opina.
Fonte: NSC TOTAL


